Imaginem 5 raparigas, a viajar sozinhas pela Roménia, sem ter ideia de onde querem ir, onde vão dormir, que transportes há.... Felizmente há sempre uma estrelinha da sorte que nos acompanha!!
Tudo começou com a ideia de ir visitar Targu Mureş e, de alguma maneira, celebrar de maneira diferente o aniversário da Elva.
Tudo começou da melhor maneira possível... Decidimos ir em minibus, porque o comboio demorava o dobro do tempo. Ficámos pelo menos 1h à espera que este chegasse enquanto nos caíam chuviscos na cara. Mas o melhor ainda estava para vir...
O condutor, romeno obviamente, fez jus à sua raça e fez com que disfrutássemos em pleno das 3h de viagem: ou eram ultrapassagens a 100m do camião que vinha de frente, ou era meter-se à maluco na faixa contrária numa curva sem a mínima visibilidade, ou era ir colado à carrinha da frente... Mais emocionante era impossível!
Sem saber bem como, chegámos sãs e salvas a Targu Mureş. Duas dúvidas apareceram logo mal entrámos na cidade: para que lado é o centro e onde raio é que vamos dormir!!!! E é nestes pequenos pormenores que adoro a Roménia.. Encontrámos uma senhora super simpática que vendia os bilhetes no autocarro que nos levava ao centro, a quem tentámos perguntar se conhecia algum sítio acolhedor, mas com preço que correspondesse aos bolsos de pobres estudantes que somos para passar a noite. Não falava inglês, mas este mundo seria bem melhor se ninguém falasse inglês e todos tivessem o coração desta mulher! Perguntou a quem pôde dentro do autocarro se alguém conhecia um sítio, tentou explicar-nos em romeno (com uma paciência de santo) como ir para uma pensão que conhecia e recusou-se a vender-nos os bilhetes do bus, mesmo apesar de estarmos com o dinheiro a insistir. A cada pessoa que entrava contava quem éramos e o que estávamos ali a fazer, com um orgulho que lhe fazia brilhar os olhos...
Com alguma pena de ter que deixar a senhora, saímos na paragem que nos tinha dito, mesmo no centro da povoação. Segundo ela, teríamos que apanhar outro bus para chegar à pensão, mas mais uma vez a estrelinha da sorte apareceu e decidimos entrar e perguntar os preços de um hotel que estava mesmo ali "Hotel Transilvania". Sorte das sortes: um hotel, no centro e a noite saiu-nos a 12euros a cada uma, com pequeno almoço e tudo!! Pequeno truque: ficámos 5 em 2 quartos duplos.......
Deixar as coisas nos quartos e aproveitar que o Sol ainda não se tinha posto para visitar a fortaleza e dar um passeio de reconhecimento.
Mais tarde uma cervejinha na esplanada, onde nos pediram o BI para saber se tínhamos idade para beber alcool..... :) Depois jantar com direito a prenda de aniversário.
Terminámos o dia com um longo passeio nocturno à procura de um bar, numa cidade fantasma. Contavam-se pelos dedos das mãos as pessoas que andavam na rua. Mas encontrámos um sítio porreirinho, uma mistura de bunker e cave de vinhos...
No dia seguinte, aproveitando o calorzinho de princípio de Primavera pateámos pela simpática cidade de manhã...




Com a informação precisa que nos deram na Oficina de Turismo de que demoraríamos 20mn a chegar à estação de autocarros que estava a 2km, seguimos caminho com a intenção de conseguir algum meio de transporte que nos levasse a Praid, uma aldeiazita que nos tinham dito que tinha umas minas de sal que valia a pena ver. 40mn depois de percorrer os "curtos" 2km, chegámos à estação de bus. Sabem aquela estrelinha? Pois, foi só perguntar "qual é o que vai para Praid?" e já estava esse mesmo prestes a fechar as portas para sair! Mas com toda a sua simpatia romena o condutor fez o favor de esperar pelas desesperadas que iam a correr em direcção a ele. E foi nesta maravilha da engenharia que viajámos durante quase 2h para percorrer 64km....
Com direito a uma paradinha de 25mn em Sovata, não vá a máquina aquecer demasiado...


Finalmente em Praid, eram as 3h da tarde, fomos ao turismo para saber antes de mais nada, onde podíamos ficar a dormir e que transportes tínhamos para voltar para Brasov. Depois de nos apercebermos que era quase impossível voltar para Brasov nesse mesmo dia, decidimos perguntar pelas famosas minas de sal... Aqui a estrelinha estava a descansar... Tinham fechado à 1h da tarde e só voltavam a abrir no dia seguinte de manhã! Foi como se nos tivesse caído o mundo em cima... É nisto que a Roménia perde, não exploram nem metade das potencialidades do país.
Perdidas no meio do nada, numa aldeia que se atravessa em 5mn e sem sequer poder ver o que queríamos... Novo objectivo: fazer qualquer coisa para não ter que passar ali a noite! O rapazito do turismo fez-nos o favor de dizer que havia um bus que passava passado 1h hora e q nos levava até Sovata, onde teríamos mais probabilidade de encontrar um sítio decente para dormir. "E que fazemos nesta 1h?" "Podem ir ver o Grand Canyon das minas de sal..." E assim foi, como 5 desterradas pela estrada fora, monte acima, monte abaixo, até ao Canyon de Praid.




A verdade é que até tivemos sorte em encontrar as minas fechadas, porque a paisagem que nos esperava deixou-nos sem palavras... E não digo isto pelo "Canyon" (que não passa de um pequeno vale), mas sim pelo verde, pelos rebanhos, pelo silêncio, pelos pastores... Pela Natureza no seu estado mais puro...



Voltámos com tempo para a paragens de bus, não vá este passar antes... A ideia inicial, quando ainda estávamos em Brasov, a "planear" o fim de semana era passar pelo menos 2noites fora. Agora a nossa esperança já era ter maneira de voltar para casa e descansar na nossa casinha.. Como se diz: "quem tem boca vai a Roma"! Perguntámos ao motorista do autocarro que nos estava a levar para Sovata se havia alguma maneira de ir para Brasov ainda nesse dia. Fez-nos o favor de ligar a 2 ou 3 amigos e tentar conseguir-nos a preciosa informação de que se fossemos com ele até uma outra terra perdida no nada, poderíamos apanhar aí um minibus que nos deixaria em Sighisoara. Foi então que começou o contra-relógio: o minibus que tínhamos que apanhar passava nesse ponto esquecido pelos deuses às 7h da tarde e a nossa hora de chegada prevista era... às 7h da tarde!!!!!!! Mas quando já nenhuma de nós acreditava que nos ia dar tempo, chegámos 3mn antes da hora. O problema é que não havia paragem nem havia ninguém por ali, ou seja, não sabíamos muito bem de já teria passado ou não o nosso transporte...
Encruzilhada típica de filme: a estrada de onde tínhamos vindo, a estrada que seguia essa mesma direcção, uma outra perpendicular e mais um caminho no meio disso tudo. Onde pararia o minibus? Estava cada uma para seu lado, a tentar encontrar a paragem ou alguém a quem perguntar, quando de repente ouvimos a Elva gritar: "Sighisoara!!!!!!!!!!!!!!!!!". Corremos como se não houve amanhã...A paragens estava a uns 200m de nós. Gritámos o mais que pudemos para que o condutor desse conta que estávamos ali, tanto que o típico cigano romeno que acabava de sair do minibus esboçou o seu sorrisinho entre os pelos do farfalhudo bigode negro enquanto nos mantinha a porta aberta. Não, não foi o último susto! Sabem a sensação de pensar que finalmente se consegue o que tanto se quer e de repente aparece um problema que pode deitar tudo a perder? Pois nós éramos 5 e o minibus era um pouco mais pequeno que uma carrinha Ford Transit e ia cheio, mas quando digo cheio é mesmo CHEIO!! Iam pessoas em pé até à porta!!!! Alguém emagreceu à força, porque ficar ali é que não íamos!!!

A caminho de Sighisora, em pé mas bastante mais relaxadas mentalmente, os nossos amigos canários deram-nos a grande alegria de dizer que teríamos um comboio de Sighisoara para Brasov quando chegássemos. Felicidade plena....
Cansadas? Sim, bastante.
Divertido? Sim, depois de já ter passado.
Ir dormir? Sim, depois de uma boa noitada por Brasov!!! :)